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Entrevista: Heslaine Vieira relembra Ellen em Malhação e se orgulha de suas protagonistas fortes

Divulgação

Aos 24 anos, Heslaine Vieira brilha nas telinhas e é uma inspiração para diversas meninas negras em todo o país. A atriz já atuou no cinema, mas nos últimos tempos tem feito história nas novelas da Globo. A mineira ficou conhecida em todo o país pelo seu trabalho na interpretação da intelectual Ellen, uma das Fabulous Five de Malhação – Viva A Diferença. A produção conquistou o Emmy Kids de Melhor Série e retornou recentemente à grade de programação, para entreter o público após a interrupção de gravações da emissora para cumprir as medidas de isolamento social.

O sucesso levou à produção de uma série spin-off, mostrando a vida das personagens centrais da trama após o colégio. Ansiosa com o futuro de Ellen e em meio às preparações para ser antagonista na próxima novela das 18h, Heslaine separou um tempinho de sua quarentena para conversar com a todateen, e nos contou sobre a sensação de interpretar tantas mulheres fortes em rede nacional.

Confira a entrevista completa:

todateen: Sua personagem, Ellen de Malhação – Viva A Diferença, retornou às telinhas na reprise da novela. Qual característica você mais gosta na personagem?

Heslaine Vieira: Os óculos retrô e jaqueta jeans ganharam espaço no meu coração (risos)! Ela é determinada, isso é o que eu mais amo na personagem. Nesses últimos capítulos que foram ao ar, quando o personagem do Hall Mendes, o Jota, assume a culpa pelo aplicativo para a diretora da escola, a Dóris (Aná Flávia Cavalcanti), mesmo correndo o risco de ser expulsa, a Ellen vai lá e assume sua responsabilidade.

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tt: Ellen se mostra como uma verdadeira guerreira na luta por educação de qualidade e investimento na ciência. Como foi interpretar uma personagem que enfrenta tantos obstáculos para conquistar igualdade e conhecimento?

H. V.: Acho que a luta por igualdade ainda está muito no começo, mas de fato uma personagem como a Ellen nos inspira dia após dia a lutar com mais garra e afeto. A educação é a base da sociedade, e bem como disse a Dóris, educação não transforma o mundo, educação muda pessoas e as pessoas mudam o mundo. Então quando entendermos isso as coisas vão caminhar a passos mais largos. A ciência, pesquisa e tecnologia são essenciais para o desenvolvimento do nosso país, dos nossos países, do mundo em geral. Mas é claro que necessita de investimento, que está cada vez mais escasso por conta da falta de conscientização dos nossos governantes. Me sinto muito honrada em representar uma dessas mulheres que batalham todos os dias por nós.

tt: Século XXI e as mulheres negras ainda são uma minoria alvo de preconceito disfarçado de piada dentro do mercado da ciência e tecnologia. O que Ellen representa diante deste cenário?

H. V.: As pessoas pretas são maioria no nosso país, o preconceito velado e não velado, as piadas estão em todos os pilares da nossa sociedade racista, é muito enraizado. Todas as mulheres pretas estão nessa “pirâmide” em uma posição nada favorável. A Ellen ocupa um lugar no mercado de trabalho que é majoritariamente ocupado por homens, mas ela não tem medo e se posiciona. A jornada dessa menina nos inspira a sermos mais fortes, mas é importante lembrar que ela representa uma quantidade muito maior de mulheres brancas ou pretas que estão lutando por todas nós. Eu acredito nelas, na força da nossa união, é uma corrente!

tt: O que Ellen diria para as garotas que pensam em seguir carreiras dominadas pelo sexo masculino?

H. V.: Vamos nessa, vamos ocupar espaço nos unindo, nos ajudando e reconhecendo também os privilégios umas das outras. Se uma subir e puxar a outra, logo seremos uma corrente forte, cada vez mais poderosa, tenho certeza. Não vamos desistir dos nossos sonhos, ninguém pode nos impedir porque não vamos deixar.

tt: A marca do estilo de Ellen também está no seu amor pelo cabelo. Temos vivido um período de ressignificação da beleza da mulher negra. O que você, Heslaine, tem a dizer para as meninas que estão pensando em iniciar a transição capilar?

H. V.: Não é fácil, mas vai passar e você vai mudar tanto de dentro para fora, vale a pena. Vale a pena olhar no espelho e se reconhecer, vale a pena se sentir linda quando acorda, vale a pena lutar pela nossa autoestima em uma sociedade que tenta tirar ela de nós. Mas não é fácil, é preciso reconhecer. Dá vontade de chorar, de não sair na rua, porque isso aconteceu comigo e acontece com todas nós. Mas passa e hoje eu me sinto muito mais livre para decidir o que fazer e como fazer com o meu cabelo, ele é minha identidade, sabe?! Não deveríamos deixar que tirem nossas escolhas, você precisa querer escolher. Se decidir mudar de novo, tudo bem, mas o poder da escolha tem que estar nas nossas mãos, só se permita, por você mesma.

tt: Malhação – Viva A Diferença também se tornou série. Enquanto não chega a estreia, pode nos dar algum spoiler do que podemos esperar de Ellen nesta nova fase?

H. V.: Eu estou MUITO ansiosa com o resultado final, podemos esperar uma Ellen mais madura e aberta em alguns pontos, ela está no começo da fase adulta, assim como todas elas. As questões que a rodeiam permanecem, porque o mundo é como ele é e nós já sabemos o que essa personagem representa. Em Malhação, ficou claro os espaços que ela ocupa e as lutas pelas quais batalha. Ela é muito inteligente e esforçada, agarrou as oportunidades que teve e sabendo das responsabilidades que a rodeiam. Ellen sempre se cobrou muito, e isso ficou mais evidenciado nessa trama, o que cria ainda mais identificação entre nós duas, eu a entendo perfeitamente. Exigi muito de nós e corresponder nem sempre é suficiente, sentimos que precisamos superar. O que podemos aprender, nós duas, é que as vezes precisamos respirar, parar e respirar. Também somos humanas, e às vezes cansa.

tt: Você será a vilã da próxima novela das 18h, Nos Tempos do Imperador. O que pode nos falar sobre Zayla? 

H. V.: Ainda estou em processo de preparação, acompanhando a Alana Cabral, que fará a personagem na primeira fase da novela. Mas é tudo diferente, principalmente a postura e a forma de falar. A Zayla é uma princesa, e esse tem sido o meu maior cuidado, que eu me lembre, a primeira princesa negra em novelas. Nesse caso, tenho estudado muito porque sei que é uma personagem muito necessária, uma baita responsabilidade. Ela tem uma família linda de rei e rainha que cuidam com muito afeto de todos na Pequena África, reino rodeado por pessoas guerreiras. Estão chamando de vilã a mim e Alana, mas ela é muito determinada e não mede esforços para conseguir o que quer, talvez esbarre em linhas tênues, mas isso só assistindo mesmo. Espero que ela mexa com todos nós, porque também é doce e alegre, a personalidade é bem forte.

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Zayla’s ✨ Nos tempos do Imperador!

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tt: Mocinha da Malhação ou vilã das 18h, o que é mais desafiador? E qual a diferença na preparação de cada personagem?

H. V.: Não consigo responder com tanta propriedade porque ainda estou em estudo, mas os personagens nascem muito no processo de gravação, no set com figurino, caracterização, locações, o elenco contracenando, tudo ajuda a contar a história. Mas ambas são muito fortes e determinadas. A Zayla é mais velha, vive em um período histórico ainda mais difícil que o atual, mesmo com todas essas questões vividas pela Ellen no mundo contemporâneo. A Zayla é consequentemente mais madura, mas a Ellen lida com tecnologia e matemática, o que é mais difícil para a atriz aqui (risos). Digamos que minha vida não é fácil com nenhuma das duas, fico ainda mais feliz por me sentir desafiada. Porém, tenho a sensação que a Zayla vai me dar mais trabalho, por ser uma trama de época o jeito de falar e andar é muito importante. Ser uma princesa não é nada fácil!

tt: Zayla é filha de uma liderança quilombola. Como tem sido estudar e se deparar com tempos de preconceito tão forte contra a população negra?

H. V.: Falar sobre racismo é também explicar o porquê de nossos livros de história não falarem sobre a Pequena África [região do Rio De Janeiro retratada na novela], por exemplo. Com toda a importância na história do Brasil que este local representa. Nos meus livros de história do ensino médio haviam só quinze páginas falando sobre a nossa história, digo a minha história, a história dos meus ancestrais. Então tenho me empenhado muito para aprender, estudar sobre essa região, mas não preciso consultar os livros quando o assunto é preconceito. Eu sou mulher e carrego na minha pele as dores e poderes da ancestralidade, como a Zayla.

tt: Com a pausa nas gravações por conta da pandemia, como você faz para continuar ensaiando de casa?

H. V.: Pois é! As gravações foram interrompidas, mas o estudo continua, aqui os ensaios estão a todo vapor. Geralmente eu gravo com o celular as minhas cenas, para ver como está indo. Mas na verdade é preciso esperar a orientação da direção, porque é preciso ver figurino, caracterização, locações e as cenas com os outros atores, mas eu faço isso em casa mesmo para me sentir mais confiante nas gravações, a gente nunca sabe se vai ter alguma alteração de texto. O que podemos fazer é estudar, ler os livros do período. Estou consultando bastante um historiador que nos acompanhou nas visitas da Pequena África aqui no Rio de Janeiro, o Luiz Ramos. A gente tem aproveitado para ficar mais próximo dos personagens.

tt: O que tem feito com este tempo extra em casa durante a quarentena?

H. V.: Estudar, comer e dormir… brincadeira (risos)! Ah, estou aproveitando esse momento porque normalmente não temos esse tempo hábil, a gente [atrizes] trabalha bastante. Aproveitei para ler muito, me reconectar comigo mesma, estudar para a Zayla. Também tenho estudado muito sobre comportamento humano, acho muito interessante! Sem falar nos filmes e séries, quero ser diretora também, então é muita coisa para ver e estudar. Nas horas vagas eu tenho me dedicado à cozinha, idiomas novos, como iorubá e inglês, e agora estou começando a arriscar o espanhol. Estou curtindo muito o cachorrinho que o meu irmão deixou aqui em casa quando ele se mudou, também tenho tentado me tornar vegetariana aos poucos, aproveitei para ler mais sobre o assunto e me aventurar nessa nova culinária.

tt: Quais mulheres te inspiram?

H. V.: Vou falar da TV! Taís Araújo, Lucy Ramos, Oprah, Viola Davis, tem um monte de mulheres que me inspiram, principalmente pela representatividade. Elas são todas mulheres negras que conquistaram seu espaço no meio com tanta maestria. Na minha vida é fácil: minha mãe, minha avó, minha madrinha são meus exemplos de vida, guerreiras. Acho que todas nós somos guerreiras, só por nascermos mulheres!

tt: Qual seu sonho ainda não conquistado como atriz? Conta para a gente o seu papel dos sonhos e com quem gostaria de contracenar!

Adoraria interpretar uma médica e uma juíza, seria interessante ocupar vários espaços com as minhas personagens. Eu também já trabalhei com muita gente que admiro, mas seria um sonho contracenar com o meu irmão, o Land Vieira. Ele é brilhante, nós sempre nos ajudamos muito mas nunca estivemos juntos em algo, embora ele tenha trabalhado por muito tempo na Globo. Quando ele estava na emissora, eu estava no cinema, depois ele se tornou apresentador. Mas também seria um sonho ser filha da Taís Araújo, Lucy Ramos, Camila Pitanga, eu já tenho até um monte de história na cabeça, em uma delas eu, Jéssica Ellen e Alana Cabral como irmãs!

tt: Qual livro, série ou filme descobriu na quarentena?

H. V.: Recomendo um livro chamado Um Defeito De Cor, tem mais de 900 páginas e com toda certeza também vai te render um tempo precioso de transformação, está mexendo comigo e ainda estou na metade. Também recomendo Madam CJ Walker [série da Netflix], que fala sobre a primeira mulher negra a se tornar milionária nos Estados Unidos, ela cria produtos de cabelos especializados para as mulheres negras – tema atemporal, né?! Outra indicação que faço é Underground – uma história de resistência, disponível no Globoplay. Fala muito sobre a Harriet, que foi uma guerreira corajosa que fugiu em 1949 e ajudou centenas de escravizados a fugir do sul dos Estados Unidos.

tt: Algum recado para as leitoras da todateen que se sentem representadas por você?

H. V.: Nós podemos, juntas! Não desistam dos seus sonhos, agarrem todas as oportunidades que a vida oferecer, e se não oferecer, vamos em busca lutando. Somos guerreiras! Também queria agradecer por todo o carinho, com toda certeza vocês me fazem muito mais fortes, obrigada! <3

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