Entrevista: Laura Conrado, autora da série “Freud, me tira dessa!”

Em entrevista à todateen, a escritora contou sobre sua trajetória, seus livros e ainda deu dicas para quem começar a escrever!

O primeiro sábado da Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi superagitado para a escritora Laura Conrado! Além de contar com a animação de encontrar seus fãs, a autora trouxe para o estande da Editora Novo Século seu novo livro, “Freud, me segura nessa!”.

Laura, ganhadora do Prêmio Jovem Brasil 2012, nasceu em Minas Gerais, é formada em jornalismo, mas seu grande sonho sempre foi ser escritora. Sonho realizado há dois anos com o lançamento de “Freud, me tira dessa”, que já está na 3° edição!

E foi no meio dessa correria que a mineirinha separou um tempo na agenda para conversar com a tt. Ela falou sobre suas inspirações, desafios da carreira, como foi para chegar até aqui e muito mais. Vem ver:

laura conrado bienal

Foto: Melissa Marques/Todateen

tt: Conta um pouquinho pra gente como foi que você entrou no mundo dos livros. Como foi a sua trajetória até chegar aqui na Bienal?

Laura: Eu queria escrever desde criança, era meu sonho de infância. Quando me formei em jornalismo, comecei a trabalhar, mas não estava satisfeita! Não queria simplesmente narrar os fatos, queria inventar histórias, queria criar. Então, eu fui atrás do meu sonho de ser escritora e consegui emplacar em 2012 o original de “Freud, me tira dessa!”. Em três meses o livro foi da primeira para a segunda edição, o que para um autor pouco conhecido é superlegal. O “Freud, me tira dessa!”me deu dois prêmios! Assim, consegui lançar outros projetos, consolidar meu público, crescendo e hoje é uma alegria falar que vivo do meu sonho.

tt: E como foi a experiência de ganhar o prêmio “Jovens Brasileiros”?

Laura: Foi óootima! Primeiramente porque eu não esperava! E foi a consagração de um trabalho de meses,  para conseguir emplacar meu livro. O mais válido foi o reconhecimento de que todo o trabalho duro deu certo, de que eu estava no caminho certo. Eu acertei em seguir meu sonho e ir atrás dele.

tt: Nos seus livros é bastante clara a abordagem da psicanálise e da psicológia. Por que você escolheu falar sobre esse assunto? O que te fascina nessa área?

Laura: Olha, eu fiz terapia por muitos anos. Acho que me tornei uma outra pessoa depois disso. Infelizmente, a gente tem a ideia de que terapia é para “louco”, mas, na verdade, é uma grande oportunidade da pessoa conhecer e entender o porquê das escolhas que ela faz pra vida dela. Eu não fazia escolhas muito legais, por exemplo: eu só escolhia caras que não eram legais pra mim e a terapia deu a oportunidade de me conhecer e saber o porquê dessas escolhas não tão bacanas. E, pelos processos de análise, eu tive coragem de ir atrás do sonho de ser escritora. E isso me marcou tanto, que eu resolvi colocar isso em livro e deu muito certo, porque o mercado recebe muito bem os meus livros. Por isso, acredito que quando o que a gente faz sai do nosso coração e quando o processo é verdadeiro e honesto, ele conquista as outras pessoas.

tt: As personagens principais dos seus livros são garotas adolescentes, mas que tem histórias inspiradas na sua vida. Com isso, qual delas é mais parecida com você?

Laura: A Catarina. E é muito legal que eu lancei agora o “Freud, me segura nessa!” e as minhas leitoras se identificam muito com a “Cat”, então elas mandavam email falando o quanto se pareciam com a Catarina, tanto que nasceu a hashtag #somosmuitocat. Ela é realmente a que mais se parece comigo. Ela tem o mesmo jeito de reagir, muitos dos meus questionamentos eu divido com a Catarina. Embora eu realmente ame todas! (Risos)

tt: E no momento de criação do enredo da histórias, de criar cada personagem dos seus livros, qual é a sua real inspiração?

Laura: Tenho que assumir que isso é um perigo! Eu falo pros meus amigos: ‘se você não quiser aparecer no livro não me conta a sua história’, porque eu me aproveito de tudo. Sou daquelas que usa do pretexto de ser escritora para ficar ouvindo a conversa dos outros, fico sempre ligada! Porque a minha matéria-prima é a realidade. Eu acho que o dia a dia, as questões humanas, são grandes materiais para a construção de uma história.

tt: Agora que você está lançando o seu terceiro livro, conta pra gente qual foi o que mais te desafiou? Porque escrever um livro não é fácil, imagino que três seja mais difícil ainda! (risos)

Laura: O mais recente foi o que mais me desafiou, porque o primeiro livro da série foi muuuito bem aceito, me rendeu prêmios e foi o que fez a minha carreira crescer. Então, o segundo da série foi mais difícil, porque você tem que fazer algo melhor do que o anterior. É preciso mostrar uma evolução da personagem e também uma evolução minha como escritora. Então, foi preciso um pouco mais de tempo para criá-lo, porque eu realmente queria algo mais consistente, com uma estrutura bem redondinho, mas valeu a pena e eu fiquei muito feliz com o resultado.

tt: Assim como a Priscila, personagem do livro “Só gosto do cara errado”, muitas das nossas leitoras e amigas se apaixonam sempre pelo ‘badboy’. E sofrem bastante por isso. Qual é a dica especial que você dá pra quem sempre acabando gostando do carinha que não é legal?

Laura: Gente, primeiro: autoestima é tudo! Você tem que estar em primeiro lugar. Você tem que entender que você não precisa de outras pessoas para estar feliz, porque eu vejo muita menina que simplesmente por querer namorar, se submete a cada coisa! Como relações horríveis, que não são saudáveis. Acho que você deve entender que ser feliz é um processo muito mais individual, porque quando a gente consegue ser feliz sozinha, nada mais importa e a gente consegue fazer escolhas certas.

tt: E para meninas como a Catarina, da série “Freud, me tira dessa”, que se apaixonam por “amores impossíveis”, o que fazer?

Laura: Escolha situações reais! O amor platônico demonstra um grande medo de se apaixonar e de correr riscos por isso. Então, pra não confundir minhas leitoras, eu escolho paixões que nunca vão confrontar com a realidade de uma relação. Então, quando você estiver muito apaixonada por paixões inatingíveis, pense sobre o seu medo de se entregar a uma relação.

tt: Muitas das nossas leitoras também sonham em ser escritora algum dia, mas muitas vezes não sabem por onde começar. Qual a dica que você dá pra quem quer realmente seguir a carreira de escritor(a)?

Laura: O caminho a gente faz caminhando! Não adianta você ficar sonhando muito ou esperando uma oportunidade que não vai surgir sozinha. Vocês tem que começar a escrever e ler muuuuuuuuito, porque, quando você lê, você descobre qual estilo de livro você gostaria de escrever, aquele que mais te interessa. Além disso, você vai aumentar seu repertório de palavras! Então, para começar, tentem escrever! Não gostou? Façam de novo. Não tenham apego demais ao seu texto, apaga e faça de novo. Tentem cada vez mais! Aprendam a aceitar os “nãos” que podem aparecer, para entender as críticas e também para realmente entender que a profissão de escritor é igual a qualquer outra! Não é porque eu escrevo livros que eu sou mais importante ou especial que outra pessoa.

 

laura conrado


Nome: Laura Conrado
Nascimento: 26/08/1984
Profissão: jornalista e escritora
Livros lançados:
“Freud, me tira dessa”
“Freud, me segura nessa”
“Só gosto do cara errado”
Prêmios:
“Prêmio Jovem Brasileiro 2012, destaque  literário
“Melhor chick lit nacional de 2012”

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