Entrevista com Pedro Gabriel, autor de “Eu Me Chamo Antônio”

Confira o bate-papo que tivemos com o autor

Pedro Gabriel - Eu me chamo Antônio
Foto: Leo Aversa

A redação da tt conversou com o queridíssimo Pedro Gabriel, autor da página Eu me chamo Antônio. Você provavelmente já deve conhecer o trabalho dele – lindo e  superpoético! – mas, se ainda não teve a chance, a gente te apresenta! Confira a entrevista:

Pedro Gabriel - Eu me chamo Antônio

Foto: Leo Aversa

tt: Para quem ainda não conhece, como surgiu a ideia da página EU ME CHAMO ANTÔNIO? Por que esse nome?

Pedro: Tudo nasceu de forma muito espontânea. Eu estava no balcão de um bar e, naquele dia, tinha esquecido de levar o meu tradicional caderninho de bolso para anotar as minhas ideias. A única plataforma que eu tinha para anotar era o guardanapo na minha frente. Comecei a rabiscar e acabei gostando do resultado. Depois de um tempo percebi que tinha bastante material guardado e decidi abrir uma página na internet para registrar todas essas criações até então. As pessoas foram curtindo, comentando, compartilhando e a página no facebook hoje tem quase 900.000 seguidores. Antônio é o nome que escolhi para o meu personagem. Antônio também é o nome esquecido da minha identidade. Ninguém me chama de Pedro Antônio, então foi uma forma de dar valor a esse nome.

tt:  O que te inspira na hora da criação?

Pedro: Tudo é útil para a criação. Uma conversa na mesa ao lado, o silêncio, uma palavra solta, um poema antigo, um filme, uma música, uma tristeza… Tudo pode servir em algum momento para a manifestação artística.

tt:  Como é o seu processo criativo? Primeiro pensa no poema ou no “desenho” da palavra? Os dois juntos? Qual é mais difícil para você?

Pedro: Eu não sigo um roteiro para criar. Procuro ficar sempre atento aos sinais da imaginação. O casamento palavra/desenho surge naturalmente. Alguns guardanapos pedem uma intervenção gráfica, outros pedem apenas palavras. Sigo o feeling. Não planejo nada. Hoje, os guardanapos nascem de forma natural pra mim, mas a gestação desses poemas levaram quase 30 anos (que é a minha idade).

Segundo Eu Me Chamo Antônio

FOTO: Divulgação / Editora Intrínseca

 tt: A internet não interfere nas vendas do livro? Todos os poemas do livro estão disponíveis na fanpage?

Pedro: Esse foi um dos grandes desafios do primeiro livro. Será que as pessoas estariam dispostas a pagar por um conteúdo que elas têm de graça na internet todos os dias? O que se viu foi uma expressiva movimentação dos meus seguidores também nas livrarias. O primeiro livro vendeu mais de 150.000 exemplares. Isso é impressionante até para um autor consagrado. Imagina para um autor até então totalmente desconhecido, sem conhecimento no mercado editorial, com um livro de estreia de poesia… Nem nos meus sonhos mais otimistas eu teria imaginado isso! Sou muito agradecido por tudo o que tem acontecido. Se os meus leitores e leitoras das redes sociais não tivessem abraçado o mundo do Antônio, eu não teria publicado um primeiro livro, muito menos um segundo.

tt: Em entrevista à todateen, Clarisse Freire comentou que gostaria de fazer uma parceria com você. Os dois sendo da Editora Intrínseca, isso fica ainda mais fácil, não? Existe algum projeto dos dois em mente?

Pedro: Seria uma honra trabalhar com a Clarice em algum projeto. Acredito que a nossa expressão combinaria muito bem em um eventual projeto. Não conversamos sobre isso, mas se pintar uma ideia que faça sentido e não seja apenas com intenção comercial, sem dúvida, seria uma experiência incrível para nós e para boa parte dos leitores que nós acompanham. Não vejo barreiras para a união da poesia.

tt: O que você está lendo atualmente?

Pedro: No momento estou relendo os livros do Manoel de Barros. Comprei o box com todos os volumes e não me arrependo em nenhum momento. Minha infância desfila pelos meus olhos a cada verso!

tt: Quais são seus autores favoritos?

Pedro: Mario Quintana, Mia Couto, Manoel de Barros, Leminski, Arnaldo Antunes, Millôr Fernandes e Drummond. Esses estão sempre presentes de alguma forma nas minhas leituras e releituras.

tt: Quais são seus planos?

Pedro: Meu segundo livro acabou de ser lançado. Quero poder divulgá-lo em todas as cidades possíveis para receber o carinho ao vivo dos leitores e leitoras que até então só me acompanhavam através de uma tela de computador.

tt: Indique um livro para as leitoras de todateen:

Pedro: A Trégua, de Mario Benedeti

tt: Indique um de seus “guardanapos” para as leitoras de todateen:


Um guardanapo que pode combinar bem com a minha adolescência, essa época conturbada em todos os sentidos: amores, estudos, futuro… Por coincidência é o meu primeiro guardanapo: “Primeiro, o encanto. Depois, o desencanto. Por fim, cada um pro seu canto.”

Eu me chamo Antônio

FOTO: Reprodução / Facebook Eu me chamo Antônio

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