Lesbofobia existe e precisamos falar sobre isso, com Louie Ponto

O assunto é sério e urgente!

lesbofobia
Foto: Reprodução/Instagram

Esse sentimento de culpa e vergonha não deveria fazer parte da sua vida. Entenda que está tudo bem ser do jeito que é e que você não está sozinha. A heterossexualidade, relação entre homens e mulheres, não é a única forma de existência. Ainda vivemos em uma sociedade preconceituosa, mas você não pode se sentir culpada por algo que faz parte de você. Chegou a hora de falarmos sobre lesbofobia.

A Louie Ponto é youtuber e também enfrenta situações difíceis de aceitação, preconceito e reconhecimento de quem se é. “Na infância, sempre ouvia das outras crianças que eu era sapatão, mas nem sabia o que significava… Cresci sabendo que aquilo existia e com 14 anos me interessei por outra menina. Não me via como lésbica, descobri primeiro que não era heterossexual”.

Mas… O que é lesbofobia?

Como existe um movimento organizado chamado LGBT, que inclui pessoas de diferentes orientações sexuais e gêneros, rola uma confusão de que existe uma unidade, como explica a Louie. Em grupo, as pessoas se fortalecem e encontram vivências e semelhanças importantes. No entanto, também existem opressões diferentes.

“Uma mulher lésbica, por exemplo, sofre uma pressão e violência por ser mulher e também por conta da nossa sexualidade”, afirma Louie Ponto. Por isso é tão importante falarmos sobre lesbofobia, já que está diretamente ligada às condições que as mulheres lésbicas se encontram. Isto é, lidam com a própria existência em uma sociedade não apenas preconceituosa, mas também misógina (aversão às mulheres e ao mundo feminino).

Essa violência de gênero se reproduz até mesmo dentro do movimento LGBT, explica Louie. “Existe o apagamento das mulheres lésbicas e é muito importante a gente falar sobre as vivências específicas”. Além disso, é importante realizar um recorte não apenas de sexualidade e de gênero, mas também de raça e classe social. Isso quer dizer que a vivência de uma mulher lésbica negra é muito diferente da vivência de uma mulher lésbica branca.

 

Entrevista exclusiva com Louie Ponto

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Foto: Reprodução/Instagram

tt: Quando foi a primeira vez que você sofreu preconceito?

Louie: Olha, é impossível dizer. Foi desde muito novinha, não sabia ainda que era preconceito. Eu sempre fui uma criança que não correspondia aos padrões de gênero,  não gostava muito de brincar de boneca, usar vestido, passar maquiagem.. E tudo isso não corresponde necessariamente à comunidade lésbica, mas são estereótipos. Acho que preconceito foi uma característica sim que esteve sempre presente durante toda a minha vida.

tt: Como você se descobriu lésbica?

Louie: Para cada menina é diferente e tem a ver com autoconhecimento. Tem gente se se entendem como lésbicas com 20, 30, 40 ou 50 anos, mesmo depois de terem relacionamentos e casamentos com homens. Na infância, eu sempre ouvia das outras crianças que eu era “sapatão”. Naquela época eu nem sabia o que era, mas sabia que falavam para me ofender. Eu já cresci sabendo que aquilo existia e com 14 anos eu me interessei por uma outra menina. Só que eu não me entendia lésbica. Achava que gostava de garotas, mas eu não aceitava. Isso veio só depois, já adulta.

tt: O que você diria para meninas que também estão se descobrindo?

Louie: Primeiro eu me descobri uma mulher não heterossexual e daí depois eu entendi que eu era lésbica. Eu sempre penso no que eu gostaria de ter ouvido quando eu era adolescente… Que está tudo bem. Eu cresci com o sentimento de culpa e demorou muito tempo para entender que não tinha nada de errado comigo. Gostaria que alguém tivesse falado para mim que eu não tô sozinha e que têm muitas outras pessoas com vivências parecidas.

tt: Como contar para os pais que é lésbica? 

Louie: Não existe um jeito certo um jeito certo, um modelo ou padrão. Porque cada pessoa tem uma família diferente, vive num lugar diferente e tem todo um contexto social diferente. Cada pessoa vai descobrir como fazer isso e a melhor coisa é conhecer a sua família. Às vezes, é melhor você esperar independência financeira, ser maior de idade, algo assim… Caso sinta que sua família vai mudar negativamente a sua vida. Agora, se você tem uma família mais aberta e que se mostra pró LGBT, acho que é diferente. Pode não ser bom no momento, mas é importante dizer que as coisas e as pessoas mudam. Se não tá legal agora com a sua família, as coisas podem melhorar com o tempo.

tt: Como lidar com a lesbofobia? 


Louie: Não é porque você está passando por um momento difícil, que ele vai se manter assim. A gente tem opção de escolha, se você tem algum tipo de amizade com quem se mostra preconceituosa ou não te apoia, vale a pena a gente rever essas relações. Ninguém merece um relacionamento que te faz mal e é tóxico de alguma maneira. Não é uma questão de lidar com as pessoas preconceituosas, a partir do entendimento de que não tem nada de errado com você e que está tudo bem, isso nos fortalece a ponto de aprendermos a lidar com essas situações.

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