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Protagonismo, visibilidade e empoderamento de pessoas com deficiência: “Minha cadeira, minha liberdade”

Protagonismo, visibilidade e empoderamento de pessoas com deficiência: "Minha cadeira, minha liberdade"
Protagonismo, visibilidade e empoderamento de pessoas com deficiência: "Minha cadeira, minha liberdade"

No mundo virtual, diversos temas vêm ganhando cada vez mais protagonismo nas redes, dentre eles a acessibilidade e a ressignificação de pessoas com deficiência na mídia tradicional. No mês em que é celebrado a visibilidade da pessoa com deficiência, a todateen conversou exclusivamente com duas personalidades que, de maneiras bastante distintas, rompem diariamente com os padrões de “normalidade” e refutam o tão presente capacitismo – a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência.

Heloísa Rocha

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Sergipana radicada em São Paulo, a jornalista Heloísa Rocha tem uma doença rara chamada osteogênese imperfeita, cuja principal manifestação clínica é a fragilidade óssea. No entanto, pesando menos de 20kg e com menos de um metro de altura, Helô é a responsável por criar um dos maiores instablogs de moda, o Moda em Rodas, que têm como objetivo principal auxiliar outras mulheres com deficiência.

Desde pequena interessada no mundo da moda, Helô aprendeu com sua vó e tia a identificar uma peça de qualidade e a conhecer o seu estilo e o seu corpo. “Eu sempre fui uma pessoa muito vaidosa e a minha profissão me exigiu a montar um guarda-roupa que atendesse ao meu perfil e idade, já que minhas roupas são feitas sob medidas ou compradas no setor infantil por conta do meu peso e tamanho.”, conta. “Até então, a minha ligação com a moda era mais no desafio de encontrar peças que servissem em mim e que conseguissem passar a imagem que eu gostaria, ou seja, a de uma profissional adulta.”, revela.

Já formada, ela passou a supervisionar produções de moda e comportamento – o que a exigiu que estudasse mais sobre o tema. Dessa forma, após cobrir algumas edições São Paulo Fashion Week, a moda passou a se tornar uma paixão e fez com que ela começasse a acompanhar de perto cada tendência. “Eu senti a necessidade de criar um projeto pessoal e que, ao mesmo tempo, ajudasse outras pessoas. Analisando, na época, a minha vida, as minhas paixões e o fato de que constantemente outras mulheres com deficiência me procurarem para pedir dicas de moda, eu tive a ideia de compartilhar todo o conhecimento de moda que eu havia adquirido ao longo da vida com o mundo inteiro. E assim nasceu o Moda Em Rodas!”, relembra.

Para Heloísa, a moda foi uma importante ferramenta de aceitação. “Ela me ajudou a conhecer e a amar o meu corpo, independente das curvaturas que tenho em razão das inúmeras fraturas que tive ao longo da vida. A moda me obrigou a experimentar diferentes peças para que eu encontrasse o meu estilo e pudesse encarar o espelho naturalmente.”, conta, explicando que, quando veste uma roupa que a faz se sentir bem e confiante, a deficiência acaba sendo só um detalhe.

“No Moda Em Rodas, eu tento, por meio dos meus looks, passar aos seguidores essa confiança e segurança para que eles, independente ou não de terem uma deficiência, se sintam encorajados a mostrarem seus corpos, suas belezas e imperfeições para o mundo.”, revela.

Ao criar e alimentar uma plataforma tão inspiradora, Helô explica que quer, por meio da paciência e cuidado que teve com ela mesma, mostrar a mesma confiança e os mesmos truques que adquiriu ao longo da vida. “Nem todo mundo teve a sorte, como eu, de crescer em uma família de costureiras e, infelizmente, nem toda menina com deficiência tem a oportunidade de falar sobre moda ou corpo em si com um parente ou uma amiga.”, fala, argumentando que o Moda Em Rodas é apenas para servir como um empurrão.

“É só um incentivo para que elas encarem as suas imperfeições da mesma forma que eu encaro (e muito bem!) as minhas. Corpos e pessoas perfeitas não existem! Nós criamos nossos próprios padrões e não os outros!”.

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Como jornalista, Helô conta que gostaria que a imprensa se renovasse em suas pautas, linguagens e abordagens, já que, no fundo, todos os profissionais da área têm como missão tanto informar quanto educar. “O capacitismo ainda é fortemente presente nas reportagens e isso só reforça o estereótipo de ‘coitadinho’ ou de ‘super-herói’ que carregamos há anos.”, explica. Lembrando que, em sociedades capacitistas, a ausência deficiências é visto como o “normal”, e pessoas com alguma deficiência são entendidas como exceções. A deficiência é, nesse contexto, enxergada como algo a ser superado ou corrigido.

“Como cidadã, eu peço que pais e familiares não repreendam as crianças que perguntam ou que querem chegar perto de uma pessoa com deficiência. Este ato de negação logo na infância fica marcado para sempre e faz com que as pessoas tenham dificuldade em se aproximar de um indivíduo com deficiência e de conviver com ele de forma natural.”, alerta.

Andrezinho Carioca

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Andrezinho Carioca sempre foi apaixonado pelo mar. “Quando eu era militar um tenente do meu pelotão me vendeu uma prancha bem baratinho. Eu tinha 18 anos.”, conta ele, que usa cadeira de rodas há aproximadamente 20 anos. Em 8 de fevereiro de 2012, no Rio Mearim, na cidade do Arari, no Maranhão, se tornou o primeiro cadeirante do mundo a surfar a pororoca – fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio.

Ele já foi atleta de remo adaptado, fez parte da seleção brasileira e dos principais times do Rio de Janeiro. Mas, quando começou a surfar, acabou largando o remo. “A paixão foi tão grande que eu nunca mais parei. É um pouco difícil explicar, mas acho que quando me apaixono é assim…”, conta, falando que, embora não surfe mais profissionalmente, fala com convicção que nunca abandonará o esporte.

André ainda ressalta a importância do esporte para a rotina. “O esporte assim como a arte é uma excelente ferramenta de socialização. Além de ajudar a manter o corpo em melhores condições para as atividades do dia a dia. Esporte é vida!”, exclama ele, que também é apaixonado por música e faz apresentações nos vagões do metrô no Rio de Janeiro.

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Com relação ao seu processo de aceitação, André conta que não teve muita dificuldade em lidar com a nova realidade. “Desde que fiquei sabendo da minha nova condição eu só pensava em me reabilitar e poder viver cada momento que a vida me reserva. Sou apaixonado pela minha vida. Costumo dizer que depois de estar na condição de pessoa com deficiência a vida fica um pouco mais difícil, mas não impossível.”, revela.

André afirma que, no dia a dia, às vezes passa por situações preconceituosas, mas conta que não dá muita importância para elas. “Acredito que se você potencializar isso os preconceitos acontecem com mais frequência. É da natureza do ser humano separar o que é diferente.”, fala.

“Deficiente são as nossas cidades, regiões ou bairros”

É o que Helô sempre diz. “A falta de acessibilidade nas ruas, nos estabelecimentos e nos transportes públicos impedem a nossa circulação e a de existirmos na sociedade.”, conta ela, que reflete sobre os inúmeros desafios que nós, como sociedade, ainda temos que percorrer.

“A dificuldade de poder circular livremente em todos os espaços faz com que o convívio de pessoas com deficiência com os que não têm deficiência seja pequeno. Sem o convívio, as pessoas ainda carregam dúvidas de como agir com o indivíduo e perpetuam ações ou frases capacitistas. É preciso que a sociedade normalize o corpo com deficiência para que suas potencialidades sejam vistas antes da deficiência.”, analisa ela.

André, por sua vez, compactua dos mesmos pensamentos. “Eu acredito que deve ser tudo acessível porque independente das dificuldades de cada um somos todos iguais e devemos ter os mesmos direitos e deveres.”, afirma. Além disso, talvez por conta dessa inacessibilidade, a concepção de que pessoas com deficiências motoras estão “presas” em suas cadeiras de roda ainda é algo bastante propagado.

“Minha cadeira, minha liberdade. Se não fosse minha cadeira de rodas aí sim eu estaria preso: em uma cama, em um sofá ou qualquer outro cômodo que não me levaria a lugar algum.”, ressalta André.

 

“Como alguém pode dizer que está preso em algo que tem a função de levar o indivíduo com deficiência física ao lugar que ele quiser?”, questiona Helô.

Conseguimos perceber, portanto, que um dos principais aspectos a serem combatidos contra os preconceitos com as pessoas com deficiência, é o social. De acordo com a jornalista, mesmo que tenhamos a ideia de que estamos, em geral, livre de tais prejulgamentos, citamos diariamente expressões capacitistas, ainda não sabemos como se relacionar amigavelmente ou afetivamente com pessoas com deficiência por conta da deficiência e suas limitações, por vezes reforçamos a deficiência em descrições ou narrações, além de temos pouquíssimas representações na mídia em geral.

“Queria lembrar a todos que a deficiência é só um detalhe de um todo de um indivíduo e que, por favor, parem de nos classificar em um único grupo, pois, além da deficiência, temos gostos, personalidades, estilos, habilidades e preferências completamente diferentes. Aprenda a olhar a pessoa com deficiência além da sua deficiência!”, finaliza Helô.

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