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Relacionamento abusivo: o que é, os sinais e como pedir ajuda

Relacionamento abusivo: o que é, os sinais e como pedir ajuda
Relacionamento abusivo: o que é, os sinais e como pedir ajuda

Não é novidade que, com a quarentena, os casos de violência doméstica – que já eram altíssimos no Brasil – apenas aumentaram. Mesmo antes da pandemia atual, a situação já era grave, com 1.23 milhão de casos de violência relatados entre 2010 e 2017 (e muitos outros não notificados), segundo oInstituto Igarapé.

Levando em consideração o conceito da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), podemos considerar violência doméstica e familiar: “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

Relacionamento tóxico ou abusivo: como reconhecer?

Segundo o conceito legal, podemos perceber que a violência se mostra de diversas formas e, ao contrário do que muita gente pensa, a violência doméstica e familiar não começa logo pela agressão física, mas sim por meio de um relacionamento abusivo e tóxico.

Para entendermos melhor os aspectos que contribuem para a formação de um relacionamento abusivo, a todateen conversou com a psicóloga Silvia Navarro, especialista no assunto.

“Podemos dizer que estamos em relação abusiva quando há necessidade excessiva de um parceiro em fazer algo pelo outro e esta relação não está equilibrada, de forma que não é boa para ambos os lados.”, explica.

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“Muitas mulheres têm dificuldades para perceber o início de uma relação abusiva, pois as frases dos parceiros costumam ser de justificativas de suas ações abusivas. Por exemplo: ‘Eu te amo muito e confio em você, mas não confio nos outros , então se afaste dos seus amigos’. A mulher prefere ceder aos pedidos do companheiro abusivo do que brigar, e aí já esta configurada a relação abusiva.”, comenta.

A profissional também elencou as principais características do agressor em tais situações.

“O agressor costuma ser alguém com características de transtorno de personalidade anti-social: Narcisistas, Psicopatas, Sociopatas ou Histriônicos. São pessoas com ausência de empatia com o sofrimento do outro, que não tem tato nem delicadeza com o que possa provocar na parceira. Geralmente se aproveitam de pessoas vulneráveis e gostam de jogos emocionais, e manipulação para manter a parceira nas mãos dele.”, disse.

As mulheres que estão dentro deste círculo de toxicidade lidam com os efeitos tóxicos – e preocupantes – em diversos momentos.

“Viver dentro de um ciclo de abuso emocional vai minando a autoestima da vítima, que vai aos poucos perdendo sua própria identidade e vontade própria e, no final, já nem se reconhece mais como uma pessoa capaz de tomar as rédeas da própria vida.”, afirma.

Para se recuperar e sair dessa situação, é necessário buscar ajuda profissional.

“O terapeuta vai ajudar a paciente a criar uma nova identidade e resgatar a personalidade esquecida antes da relação abusiva ou então criar formas de viver que sejam dignas deste paciente”, disse Silvia.

+ Formas gratuitas de encontrar apoio psicológico

A atriz Cristiane Machado, que atuou em novelas da Rede Globo como Amor à Vida e Malhação, em 2018 denunciou que foi vítima de diversas agressões cometidas pelo marido, dentro da casa em que viviam. Em entrevista exclusiva, Cristiane abriu o coração e detalhou sua experiência pessoal, além de dar dicas, na tentativa de auxiliar milhares de mulheres.

Confira!

Quais são os principais sinais de um relacionamento abusivo?

Ciúmes excessivo, controle sobre sua vida em geral, isolamento e fazer você acreditar que suas amigas ou amigos e ninguém prestam. Fique atenta ao seu telefone, se tem uma senha, só você tem direito a ela. Meu agressor tinha todas as senhas do meu celular e das minhas redes sociais. Caso eu não desse a senha, era porque eu tinha algo a esconder. Esse é o jogo manipulatório que o agressor faz. Roupas que me deixassem bonita ou tinham decote não era para uma mulher de respeito. Querer que você pare de estudar ou não se aperfeiçoe mais, também é algo que acontece muito. Como sou atriz, ele detestava o meu trabalho e não queria que exercesse minha profissão. Dizia que nosso casamento não sobreviveria. Eram escolhas desleais enquanto a vida dele seguia normalmente. Relacionamento é para caminhar junto. Respeitando a individualidade e enfatizando a parceria.

Quando começa a agressão e violência, o que fazer?

A primeira coisa é denunciar. Busque amigos e sua rede de apoio para se sentir protegida. Tenha sempre em mente que quem bate uma vez, baterá sempre. Ele pode ter te agredido e depois vai virar um príncipe, mas tenha clareza de que esse é o ciclo da violência. Brigas, ameaças e violência física e depois, lua de mel. A lua de mel nada mais é que o agressor virar aquele príncipe, um homem gentil novamente, que quer te agradar e normalmente, vem sempre com uma viagem ou algo que ele sabe que você gosta. Justamente essa é a manipulação. Fazer você acreditar que só será essa vez e inclusive, te fazer pensar que a culpa é sua ou que fez por merecer. Nada justifica a falta de respeito e a agressão física. Ao primeiro sinal de violência, que seja um tapa, caia fora. Reúna provas sempre porque se tiver embate jurídico será importante para que não sofra uma revitimização.

Como fica a autoestima depois de viver um relacionamento abusivo?

Uma das primeiras coisas que o agressor ou abusador faz é justamente isolar a vítima e atingir sua autoestima para que cada vez mais, ela se sinta diminuída e fique com seu amor próprio destroçado e consequentemente presa a ele. São muito comuns frases como: ninguém vai gostar de você desse jeito, só eu mesmo que aguento. Você está feia, se veste sempre muito mal, precisa mesmo de mim para te ajudar, mas faço porque te amo. E a mulher vai cada vez mais deixando de se amar e acreditando que seu abusador é uma pessoa tão boa e, por isso, fica com ela. Nesse momento, ela vai se tornando a presa ideal, porque tudo que ele sugere ou até mesmo dita, como roupas, os amigos ou, até mesmo, trabalhos, deixam de ser conduzidos pela própria mulher e sim, por ele.

Você tem dicas de como começar a falar sobre esse assunto e sair do ciclo de vergonha?

É super importante falar disso nas escolas e universidades. Algumas cidades já incluíram esse tipo de assunto em seu currículo. Na adolescência, é importante conversar disso em casa, onde começamos a formar pessoas. Converse sempre com uma amiga, a rede social vem falando cada vez mais sobre desse tema tão sério. Peça ajuda. Tenha sempre em mente que permanecer em um relacionamento abusivo só é vergonha para o abusador que pratica. Ele precisa de vítimas que se sintam menor do que ele. Isso o alimenta. Então, o conselho mais importante é ter seu amor próprio, sua estima por você. Guarde um tempo para cuidar da sua mente e seu corpo. Apodere-se da sua beleza e de quem você é. Esse é o conselho mais valioso e que, inclusive, trato bastante no meu livro, porque é justamente o caminho que faço diariamente, desde que denunciei.

Fale sobre sua situação sem vergonha. A vergonha é exclusivamente do abusador e não sua. Se afaste de pessoas amigas dos abusadores, elas só irão trazer mensagens ruins para você. Não permita ele ter acesso a sua rede social e se tiver, não se importe com comentários nocivos. Agressores sempre querem desqualificar a vítima. Desfazer da vítima. Tenha clareza sempre disso.

Não escute o que seu abusador tem a dizer de você. Tenha contato zero!

Como reconquistar a autoestima depois de um relacionamento abusivo?

1) O primeiro passo da sua libertação é priorizar você. Talvez esse seja o passo mais difícil para ser dado. Fatalmente, carregamos a culpa de agradar aos outros, de receber a aceitação do outro.

2) Faça atividades físicas. Não fique ociosa. A atividade física, seja ela o que for, vai liberar uma série de hormônios e adrenalina que vão fazer ter mais ânimo e principalmente, ter um corpo saudável. Não falo de beleza, falo de saúde. Eu perdi com a depressão a vontade de ir para a academia, então passei a ir a terapia a pé, até que um dia fui à academia e cada dia é um novo desafio.

3) Tenha um tempo semanal para fazer algo por você. O que você fez hoje por você unicamente? Respeitar esse seu espaço, esse seu templo gradativamente abrirá mais espaço.

4) Não deixe a vaidade de lado. Acontece com a maioria das mulheres que sofrem relacionamentos abusivos porque a tristeza é tanta que ela passa a perder o gosto por ela. Não entregue o jogo.

5) Terapia. Essencial. A terapeuta especializada é a melhor profissional que pode orientar ao seu resgate.

6) Adote um bicho. Além de estar mais propensa a doar amor, esse bichinho fará você sair da dor do embate diário e mostrará a cada minuto a sutileza do amor e da espontaneidade.

7) Esteja o máximo de tempo com pessoas leais e confiantes.

8)Sempre que se sentir diminuída com a estima baixa, liste suas qualidades. Colocar no papel nos ajuda a perceber quem somos. Deixe esse papel guardado e olhe sempre. E quando evoluir, inclua mais qualidades aprendidas. Trabalhe para melhorar os defeitos porque todos nós temos defeitos e qualidades, mas priorize e saiba seu verdadeiro valor.

9) Se um novo amor chegar vá com calma, divida sua história com essa pessoa, se ela for realmente legal, mantenha na sua vida, caso contrário, deixe ela ir embora.

10) Fale sobre sua situação sem vergonha. A vergonha é exclusivamente do abusador e não sua.

11) Busque ser feliz e livre. A vida é só uma. Sempre.

Eu tive muita dificuldade em perceber o isolamento. Ele é difícil mesmo de ser entendido e percebido por pessoas que vivem relacionamentos abusivos. Começa muito sutil, com a falsa delicadeza de mudar suas roupas porque na verdade o abusador é um manipulador. Então, de repente meu agressor comprava uma roupa com a desculpa de ser um presente e na verdade, era uma tentativa de mudar minhas roupas porque não me queria bonita, usando decotes e roupas da minha idade. Até porque ele era mais velho e gerava insegurança. E alegava sempre que eu não sabia me vestir. Saber que você tem o direito de ser quem quiser e usar o que quiser, é altamente libertador. Use esse direito com propriedade. Todas as minhas amigas não prestavam, eu que vivia vendo minha família, fui deixando de ver porque ele queria que eu cuidasse das coisas que uma mulher casada faz. Meu trabalho de atriz que ele achava o máximo, na época, estava no ar fazendo novela, de repente, virou um problema e que nosso casamento não sustentaria se eu continuasse na profissão. E você vai cedendo forçosamente e quando percebe, está em uma rede que está isolada de tudo, inclusive para pedir ajuda. E seguindo um padrão que não acredita e sim, que o abusador quer.

E o ataque à estima também acontece. Porque ele teoricamente é a pessoa que você confia, então, o que ele fala teoricamente deveria ser para te levar para frente. Muitas mulheres ficam anoréxicas, têm distúrbio do sono, ou crises de ansiedade, buscando um padrão por acreditar na falsa verdade do abusivo. Eu vivi isso dia a dia e o resgate da minha pessoa e de quem eu era foi dia a dia. A terapia é essencial e foi essencial para perceber meus valores e minhas qualidades, também como os amigos e minha família. Por isso, a importância de falar porque saberá claramente o quanto está sendo manipulada. E para o abusador quanto menos pessoas ao redor, melhor. O ciúme excessivo e excesso de controle é um grande alerta. Amor liberta e não aprisiona.


Caso você passe por qualquer situação de violência e/ou seja testemunha de uma, o canal 180 – Central de Atendimento à Mulher – tem como objetivo receber denúncias e orientar mulheres sobre seus direitos.

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