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De mãos dadas, amigas: uma carta para nós, mulheres

Crédito: Shutterstock

Oi, amigas! Os últimos dias foram pesados para pessoas com útero ao redor do mundo, né? A semana representou um misto de dor, retrocesso, exposição e julgamento midiático. Mas também refletiu lutas e dificuldades diárias, que muitas vezes são disfarçadas. A gente entende e sente muito.

Em situações como as que atravessamos, por um instante nos pegamos angustiadas, tristes e revoltadas. Questionamos qual é o cenário para mulheres no Brasil e ao redor do mundo? Caótico, perturbador, inseguro? Que conduz uma estrutura que insiste em nos deixar nessa mesma posição?

Mas, precisa mesmo ser assim? Sempre assim? Até quando? Será que só nos cabe aceitar tudo na passividade? Será que ainda vale a pena protestar, mesmo com medo do resultado? Será que todas as decisões referentes aos nossos corpos devem ser tomadas por homens? São muitas dúvidas, nas cabeças de todas nós.

De início, uma juíza de Santa Catarina manteve uma menina de 11 anos, grávida após ser vítima de estupro, em um abrigo para evitar que ela tivesse acesso ao aborto garantido por lei. O caso ganhou repercussão após a reportagem do site The Intercept Brasil, em parceria com o Portal Catarinas.

Os veículos, como você deve ter visto nas redes sociais, tiveram acesso à documentos exclusivos do processo, além do vídeo de uma audiência realizada com a presença da mãe da criança. Nas imagens, Joana Ribeiro Zimmer induz a menina, com 22 semanas de gestação, a desistir do procedimento. “Suportaria ficar mais um pouquinho?”, questionou a magistrada.

A vítima, segundo as autoridades, foi conduzida para um abrigo, como forma de protegê-la de seu agressor. No entanto, a reportagem aponta que o desejo real era impedir o acesso ao procedimento legal.

Já na quinta-feira, 23, o Ministério Público Federal informou que a criança finalmente foi submetida ao procedimento de interrupção da gestação e passa bem. Diante de tamanha comoção pública, o órgão instaurou um inquérito para investigar a condução da instituição, referência nacional no assunto.

Ao que parecia, iríamos respirar um pouquinho mais aliviadas. Quem dera! Outro baque veio logo na sequência, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o aborto deixou de ser um direito no país. A sentença reverteu a decisão história tomada pelo mesmo tribunal há quase 50 anos.

Vale dizer que, apesar de não proibir o procedimento, a mudança abre espaço para que cada um dos 50 estados do país possam adotar vetos locais. A Suprema Corte julgou válida a lei criada em 2018, no Mississipi, que impossibilita que a gravidez seja interrompida após a 15ª semana de gestação. A medida ainda inclui casos de estupro, ou seja, ainda que a gestação seja consequência de uma VIOLÊNCIA SEXUAL, o aborto poderá ser negado no estado.

Como se as notícias anteriores não fossem suficientes para gelar as nossas espinhas e pensar o quanto o mundo se parece como local que nos detesta, a atriz Klara Castanho entrou para o ranking dos assuntos mais comentados no final de semana, sendo pressionada pela mídia a expor publicamente que, após ter sido vítima de um estupro e engravidar, optou em fazer uma entrega direta para adoção, seguindo todos os trâmites legais.

“Este é o relato mais difícil da minha vida. Pensei que levaria essa dor e esse peso somente comigo”, disse Klara em uma carta aberta publicada no Instagram. “No entanto, não posso silenciar aos ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva de um trauma que sofri. Fui estuprada”, continuou.

Só para se ter ideia, de acordo com dados do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), uma mulher foi estuprada, em média, a cada vez minutos no Brasil, em 2021. O relatório contabiliza 56,1 mil casos, incluindo estupros de vulneráveis, com pessoas do gênero feminino como vítimas.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde aponta que, também em 2021, 17.316 garotas de até 14 foram mães no Brasil. Segundo a legislação, sexo com menores de 14 anos é considerado como estupro de vulnerável e, caso a violência leve à uma gestação, a criação tem o direito ao aborto legal.

Não, nós não podemos nos calar

Para nós, de todateen, é impossível nos calar diante de um cenário tão triste. Mesmo sabendo que casos de estupro, abuso e qualquer tipo de violência contra a mulher sejam diários, é pior ainda ver a que nível a exposição das vítimas chega. São vidas transformadas em um espetáculo aberto ao público, mesmo sem autorização. É o julgamento sobre suas próprias decisões, por mais que essas sejam aprovadas pela lei.

Tais aspectos dão uma dimensão ainda maior sobre a batalha do que é ser mulher, né? Não é sobre lutar contra um inimigo só, é sobre lutar contra um sistema. Um sistema de comportamentos, crenças e ideologias que deveriam ser individuais.

É muito mais que o clichê de nossos corpos e nossas regras. É a nossa segurança, nossa autonomia, nosso desejo e vontade de ir e vir livremente. É pelo direito de nascer, crescer e viver todas as etapas do caminho de forma respeitosa, sem que nos adultizem, sem que nos estereotipizem.

Não está certo e não ficaremos caladas frente essa estrutura. Não aceitamos. Hoje, o único desejo é que toda nossa indignação gere a revolução e, como resultado, a evolução. Que toda a nossa luta seja sinônimo de liberdade.

Vamos juntas, eu, você… nós. Umas pelas outras, sempre de mãos dadas.

Com afeto,

Caroline Ferreira e Maria Luiza Priori

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