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“Qual a diferença de pagar uma conta e ter que pagar a conta”: especialista comenta o que aprender na polêmica com Caio Castro

O comentário de Caio Castro abre um debate relacionado a luta pela igualdade - Crédito: Shutterstock

Se você está sempre de olho no que rola nas redes sociais, deve ter visto vários memes e críticas ao ator Caio Castro. Durante entrevista para o podcast “Sua Brother”, ele fez um comentário sobre se sentir na “obrigação” de pagar a conta em encontros e o assunto viralizou: “qual a diferença de pagar uma conta e ter que pagar a conta”. Muito além de toda a repercussão, isso também serviu para trazer uma outra reflexão: o papel do homem na luta pela igualdade. Vem entender!

Com sua opinião sobre os homens terem a “obrigação” de pagar as despesas em um encontro, Caio acabou levantando muitos debates sobre o assunto. Afinal, quem deve pagar a conta e por quê? A resposta vai de cada um, mas a sensação de cobrança relatada pelo ator é algo que rende mais conversa…

Consultada por todateen, a psicóloga Camila Puertas, ​graduada pela PUC-Campinas e com especialização em Psicoterapia Clínica e Saúde Mental pela UNIFESP, explicou como essa sensação de cobrança está relacionada à cultura sexista. Segundo a especialista, é indiscutível que a sociedade machista coloca as mulheres em um risco incomparável, mas ela também não deixa de afetar os homens.

Então os homens também são vítimas?

“Os meninos são ensinados a não chorar e não são acolhidos, em geral, ao expressar suas emoções. Eles crescem acreditando não poder expressar suas fragilidades e com a ideia de que toda menina é frágil por natureza”, explica Camila.

Para a especialista, a cultura machista traz mais prejuízo aos homens do que normalmente imaginamos. Não há como negar a existência de estereótipos sobre o conceito feminino, mas algo pouco falado é sobre o mesmo padrão no aspecto masculino: “Ser homem o suficiente” é uma frase muito reforçada desde a infância, que acaba criando a percepção de que o homem é responsável por prover recursos e sustentar. Como, por exemplo, pagar o jantar. Viu como uma coisa é ligada a outra?

A psicóloga ressalta como o estereótipo criado sobre os homens alimenta o machismo, que acreditando nisso, ficam mesmo presos a essa ideia. “A crença de poder e controle é tão enraizada que muitos nem ao menos reconhecem o quanto se sentem pressionados e o quanto isso os corrói e adoece”, disse.

Camila também associa esse comportamento à heterossexualidade, à racionalidade e ao autocontrole. Ela explica que há um peso na sensação de suficiência. Por isso, frases como essa do Caio Castro colaboram na reflexão de que a luta pela igualdade não é voltada somente para as mulheres.

Em 2018, o ator Justin Baldoni, de “Jane The Virgin”, apresentou uma palestra para a organização TED Talks que seguia essa linha. No discurso intitulado “Por que estou cansado de tentar ser ‘homem o suficiente’”, enquanto reconhece seus privilégios como homem, também reflete sobre o prejuízo do sexismo nele mesmo.

Tá, mas como isso afeta nós mulheres?

Toda essa ideia de que os homens devem sempre estar no comando também permite uma sociedade na qual os homens são raramente responsabilizados pela maneira como tratam as mulheres. Ou seja, tudo faz parte de um ciclo.

“A luta feminista não é para favorecer a mulher, e sim a igualdade de gêneros, o que significa, inclusive, salvar o homem do machismo, mesmo que seja ele o principal sujeito compartilhador desse comportamento”, afirma Camila.

Dessa forma, a masculinidade tóxica e o esteriótipo do homem “sustentar” são aspectos que vem sendo desconstruídos. Afinal, já estamos cansadas de saber como as mulheres têm o direito de serem donas de si, incluindo a independência financeira. Apesar da falta de oportunidade e das barrerias encontradas, não há como duvidar da capacidade de uma mulher só por ela ser mulher.

“Os homens precisam se tornar livres, e o feminismo colabora na libertação e autocrítica dos homens para se construírem referências masculinas que levem em consideração outros parâmetros, que não esses que violentam e degradam a sociedade”, finaliza.

Deu para perceber que há um papel bem importante do masculino nessa luta, né? Outra pessoa que também reconheceu isso foi ninguém menos que Emma Watson. A eterna Hermione de “Harry Potter” lançou uma campanha como embaixadora da ONU Mulheres. A “HeForShe” foi apresentada com o objetivo de chamar homens e mostrar que a luta também é deles.

Impressionante como aquele simples comentário do Caio Castro conseguiu render tanto assunto, né?

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